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sábado, 30 de abril de 2011

Abril.


I'm dancing barefoot
Heading for a spin
Some strange music draws me in
Makes me come on like some heroine
(Dancing Barefoot, Patti Smith)

(—café, cadernos, livros velhos, analgésicos, canções. Pagu indignada no palanque, que tentou ser metade do inteiro que sentia. Envelopes e cartões postais, P. Smith, Clarice, clarear o coração. Abraços, distâncias que fizeram espaços no dia, Woody Allen, London, London, vinil. Meu coração, não sei por que bate feliz quanto te vê. Menina legionária e um tal de Russo, que já fazia parte dela antes e pra sempre. Cinema, mais canções e textos tortos. Blues, guitarras, Elis. Color my life with chaos of trouble. Acender sorrisos, apagar tristezas. Uma menina que mora longe, mas escreve tão perto da alma. Fotografias, fitas, all star, bebida doce, travesseiro com gosto de lágrimas.  Aqueles “nós dois” com gosto de um só. Caio F., The Smiths, Doors, até mesmo o Cash. Abril me escorreu pelos braços em fuga.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pra você Guardei



Ao som de Telegrama, Zeca Baleiro

             Estas palavras são dedicadas para uma garotinha que nunca “desistiu de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos”*. E príncipes encantados.
           


“Acho que você não sabe, mas te escrevi um poema. Nem sei por que estava pensando nisso, mas escrevi sim. Guardei numa caixa, daquelas que a gente tem medo de se livrar, pois pode sentir saudade depois.
Engraçado, eu te escrevi tantos poemas, você leu quase todos, mas encontrei justo aquele,que era pra ti num papel amassado, que nem chegou a ser totalmente seu. Bateu uma saudade de ver aquelas palavras bonitas caçadas em dicionários e poemas do Drummond. De te sentir, lendo cada verso do meu lado, batendo no meu ombro quando gostava sinceramente e pedindo cópias para colar no seu caderno. Senti saudade do medo que eu tinha de descobrir que era para você e descobrir o quanto eu queria poder colocar teu nome no alto da folha, pra poder rir depois. Ah, mas passou. Passou junto com a infância, com as ondas que varreram o mar e as brisas leves que bateram na janela. E ficou guardado junto com as folhas soltas, os outros poemas, cartas amassadas, conchinhas do mar na minha caixinha de sentir saudades.”
                                                                                                                             Naa Gonçalves

 *Conto Ao Simulacro da Imagerie, Caio F. Abreu